sábado, outubro 06, 2007

Colóquio de Homenagem a Manuel Machado da Luz

























Manuel Machado da Luz

Filho de Maria José Estanco, primeira mulher portuguesa que se graduou em arquitectura, e de Raimundo Machado da Luz, destacado pintor neo-realista, Manuel Machado da Luz nasceu em Lisboa, a 16 de Março de 1943. Concluíu o curso de arquitectura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1968 com a classificação de 17 valores.

Iniciou a actividade profissional de arquitectura no atelier do Arq. António Jacobetty após estágio nas obras do Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, do qual resultou um relatório sobre Acústica em Salas de Espectáculos.

Prestou o serviço militar na especialidade “construções-arquitecto”, de 1969 a 1972, tendo sido mobilizado para Moçambique de 1970 a 1972, onde foi autor de projectos militares e civis patrocinados pelas Forças Armadas (bar de oficiais, capela de hospital militar, centro de formação para religiosos, sala de cinema, enfermaria para “grandes queimados”, posto de radiologia, laboratório de análises hospitalar, mesquita).

Em 1973 ingressou no Gabinete da Área de Sines, onde permaneceu até 1987, com funções de projectação e gestão de projectos, além da coordenação dos levantamentos sistemáticos do território em filmes e/ou em vídeo, chefiando a direcção de serviço do Centro Urbano. Principais trabalhos de projecto: centro cultural e lar de estudantes de Cidade Nova de Santo André (com auditório para experimentação teatral descontinuado); cine-esplanada, cinema-estúdio, estabelecimentos comerciais padronizados, self-service e restaurante para os trabalhadores do porto de Sines. Programou e controlou a execução de um conjunto de equipamentos culturais, comerciais e de serviços da autoria do Arq. Siza Vieira.

Com a extinção do Gabinete da Área de Sines, foi transferido em 1987 para a Secretaria de Estado da Cultura, onde elaborou/coordenou, nomeadamente, a inventariação de recintos culturais do país, as normas para equipamentos culturais-recreativos, rede de salas de espectáculos, além de representante da SEC junto do Gabinete de Estudos e Planeamento da Administração do Território.

Civicamente empenhado, participou activamente na crise académica de 1962, época em que se ligou ao Partido Comunista Português, formalizando a sua inscrição logo a seguir ao 25 de Abril, como militante do Sector Intelectual, membro da direcção do sub-sector de Artes e Letras e da célula de cinema.

Como cineclubista, ingressou no ABC Cine-Clube de Lisboa em 1961, na qualidade de colaborador, e ao atingir a maioridade, como dirigente até à data do seu falecimento.

Começou a escrever sobre cinema na Página Juvenil do “Diário de Lisboa” (1960) e Suplemento Liceum do “República” (1961).

Distinguiu-se particularmente como crítico na “Seara Nova” (1964-68), pelos pressupostos estéticos e ideológicos, coerência metodológica e defesa da modernidade, isentos de quaisquer cedências de carácter impressionista ou normativista, em consonância com a dinâmica do nosso cineclube. O seu contributo foi, aliás, distintivo no quadro das tendências da Nova Crítica, surgidas nos anos 60-70.

Foi ainda colaborador regular dos seguintes periódicos: “Plano” (1965-67), Suplemento Literário do “Diário de Lisboa” (1967-69), Suplemento Fim-de-Semana do “Diário” (1985-90) e “JL-Jornal de Letras e Artes” (1990-92).

Possui textos publicados em revistas (“Nuestro Cine”, de Madrid, “Música e Som”, “Artesete”, etc.) e nas múltiplas edições dos cineclubes da área de Lisboa, tendo elaborado as “entradas” relativas aos realizadores portugueses dos anos 30 e 40 do “Dicionário de Cineastas”, de Georges Sadoul (ed. Livros Horizonte, 1979).

Arquitecto e quadro da administração pública, Manuel Machado da Luz soube conciliar os imperativos profissionais com as actividades culturais em que se envolveu ao longo de 35 anos: além de crítico, foi animador e dirigente cineclubista (ininterruptamente ligado ao ABC); colaborador das mais variadas publicações de cinema e cineclubismo (“Boletim” e revista “Cinema”, editados pelo ABC, programas, colectâneas e cadernos os mais diversos); autor de palestras e dinamizador de colóquios; membro de júri de festivais de cinema (I Certame ABC de Cinema de Amadores, 1965, II Festival de Lisboa, 1965, Encontro da Federação Portuguesa de Cinema e Audiovisuais, 1977, Internimas, 1982, Audiovisuais de Lisboa, 1986 e 1988, Cinanima, 1982, Festival de Tróia - Prémio da Crítica, 1985).

Integrou o conselho consultor da colecção “Cadernos de Cinema” (Publicações Dom Quixote, 1969-71); orientou o sector de ficção para adultos da editora videográfica Vídeo Crac Filmes (1989-90).

Como programador cultural, para além do trabalho de 35 anos no ABC Cine-Clube de Lisboa, integrou a organização dos XVI e XVII Ciclos de Cinema da Casa da Imprensa (1979-1980), além de responsável/co-responsável pela programação de diversas salas públicas da periferia e da província (Cinema Stadium, de Algés, Cine-Teatro Curvo Semedo, de Montemor-o-Novo, Cine-Teatro de Arraiolos, Cinema Municipal de Redondo), desde 1977 até 1997.

Após o 25 de Abril, Manuel Machado da Luz integrou a comissão organizadora das campanhas de dinamização cultural, foi membro da Comissão Consultiva para as Actividades Cinematográficas - eleito pela Associação de Críticos -, fez parte, com Manuel Pina, Vasco Granja e Manuel Neves, da Comissão de reestruturação da então Cinemateca Nacional, de que era director Manuel Félix Ribeiro.

Como argumentista-dialoguista, escreveu os guiões dos seguintes filmes: “A Santa Aliança”, de Eduardo Geada (1975, original, em colaboração); “Saudades para Dona Genciana”, de Eduardo Geada (1985, adaptação da novela de José Rodrigues Miguéis, em colaboração – galardoado com o prémio para o melhor argumento de 1985-86 pelo IPC); “O Nome da Mulher” (1986, original, em colaboração, não rodado); “A Escola da Verdade” (1987, adaptação do romance de Henrique Nicolau, não rodado).

Faleceu a 12 de Setembro de 1997, em Lisboa. Era Presidente da Mesa da Assembleia Geral do ABC.



O ciclo in memoriam com que assinalamos o 10º aniversário da morte de Manuel Machado da Luz constitui um justo tributo às suas actividades cinematográficas. Ciclo, aliás, só possível graças à colaboração da Cinemateca Portuguesa e em especial ao espírito de compreensão do seu Director, João Bénard da Costa.

Serão exibidos os dois filmes de Eduardo Geada, de que Manuel Machado da Luz foi co-guionista, e ainda quatro películas do cinema clássico pelas quais nutria particular predilecção, ainda que – por razões de programação da Cinemateca Portuguesa – não constituam a quintessência das obras que deveras amava.

A homenagem encerra com um colóquio, a realizar na Sociedade Nacional de Belas Artes, sobre o seu legado e acção em prol da cultura cinematográfica e da produção de filmes, moderado por Maria Teresa Horta, Presidente da Mesa da Assembleia Geral do ABC, David Mendes Lopes, Eduardo Geada, Manuel Gusmão e Manuel Neves.

Entretanto, os corpos gerentes do ABC diligenciaram pela constituição de uma Comissão de Honra, presidida pelo Senhor Secretário de Estado da Cultura, e que integra personalidades do mundo do cinema (cineastas, críticos e cineclubistas) e amigos.

A todos os que honraram o ABC Cine-Clube de Lisboa com a sua participação nesta iniciativa, um muito obrigado.


A Direcção


Comissão de Honra

Mário Vieira de Carvalho
Secretário de Estado da Cultura.
Presidente da Comissão de Honra.

Maria Teresa Horta
Presidente da Mesa da Assembleia Geral do ABC Cine-Clube | Escritora.

João Bénard da Costa
Director da Cinemateca Portuguesa.

Aníbal Pedra
Dirigente do ABC Cine-Clube | Historiador.

António Cunha
Director da Videoteca Municipal | Antigo dirigente do Núcleo de Cineastas Independentes.

António Damião
Realizador de cinema | Escritor, sob o pseudónimo de Henrique Nicolau.

António Manuel Garcia
Dirigente do ABC Cine-Clube.

Armando Caeiro
Dirigente do Cine-Clube Imagem (extinto).

Carlos Galiza
Dirigente do ABC Cine-Clube | Programador cultural.

Carlos Porto
Antigo dirigente do Cine-Clube do Porto | Crítico de teatro e cinema.

David Mendes Lopes
Antigo dirigente do ABC Cine-Clube | Professor de Artes Visuais | Crítico e ensaísta.

Eduardo Geada
Professor da Escola Superior de Comunicação Social | Realizador.

Eduardo Serra
Antigo dirigente do ABC Cine-Clube | Director de fotografia.

Elvira Nereu
Dirigente do Cine-Clube Imagem (extinto).

Gisela da Conceição
Profissional de Cinema.

Henrique Espírito Santo
Dirigente do Cine-Clube Imagem (extinto) | Director de produção.
Sócio honorário do ABC Cine-Clube de Lisboa.

João Castelo Branco
Colaborador do ABC Cine-Clube.

João Corregedor da Fonseca
Vice-Presidente da Direcção do ABC Cine-Clube.
Membro do conselho redactorial da “Seara Nova” | Jornalista.

João Luís Costa Gomes
Dirigente do Cine-Clube Universitário de Lisboa (extinto) | Arquitecto.

João Resa
Dirigente do ABC Cine-Clube.

Joaquim Diabinho
Dirigente do ABC Cine-Clube | Programador cultural.

Joaquim João Brás
Antigo dirigente do Cine-Clube Universitário de Lisboa (extinto).

Jorge Leitão Ramos
Crítico e ensaísta.

Jorge Nascimento Fernandes
Antigo dirigente dos cineclubes Universitário (extinto) e ABC, de Lisboa.

José Jorge Letria
Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores | Editor cultural do Suplemento
de Domingo de “O Diário” (1985) e editor do “JL-Jornal de Letras e Artes” (1990).

José Manuel Gonçalves
Historiador.

José Morais e Castro
Antigo dirigente do ABC Cine-Clube | Actor-Encenador teatral.
Sócio honorário do ABC Cine-Clube de Lisboa.

Judite Brojo Garcia
Cineclubista.

Lauro António
Antigo dirigente do ABC Cine-Clube | Crítico, publicista e programador | Realizador.

Luís Blanch
Dirigente do ABC Cine-Clube.

Manuel Gusmão
Professor Universitário | Poeta e ensaísta.

Manuel Pedro
Dirigente do Cine-Clube Imagem (extinto) | Escritor.

Manuel Pina
Dirigente do Cine-Clube Imagem (extinto) | Crítico e ensaísta.
Sócio honorário do ABC Cine-Clube de Lisboa.

Manuel Rodrigues Neves
Presidente da Direcção do ABC Cine-Clube.

Maria do Carmo Abreu
Dirigente do ABC Cine-Clube | Tradutora.

Mário Artur Machaqueiro
Antigo dirigente do ABC Cine-Clube.

Mário de Carvalho
Dirigente do Cine-Clube Universitário de Lisboa (extinto) | Escritor.

Miguel Wandschneider
Antigo dirigente do ABC Cine-Clube | Curador para realizações de artes visuais.

Raul Boaventura
Dirigente do ABC Cine-Clube.

Raul Reis
Dirigente do ABC Cine-Clube.

Rodrigues da Silva
Cineclubista | Editor do “JL-Jornal de Letras e Artes”.

Rogério Fernandes
Director da revista “Seara Nova” no anos ‘60.

Ruben de Carvalho
Jornalista e investigador | Programador cultural.

Teresa Cayolla
Documentalista.

Vítor Silva Tavares
Coordenador do suplemento literário do “Diário de Lisboa” (1967) | Editor.

Vladimiro Rodrigo Pinto
Antigo dirigente do ABC Cine-Clube.




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